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Território da Bacia do Rio Corrente reafirma a força de suas culturas na I Mostra Cultural, em Cocos

A I Mostra Cultural do Território da Bacia do Rio Corrente foi realizada como uma ação de fortalecimento das políticas públicas de cultura no território, financiada pelo Governo do Estado da Bahia por meio do Edital nº 28/2024 — Cultura Viva e Territórios de Identidade (PNAB/Bahia) — e viabilizada com o apoio de instituições parceiras do território, entre elas as secretarias municipais de cultura dos municípios da Bacia do Rio Corrente, a Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB) e a Prefeitura de Cocos, que sediou o evento.
Equipe da Mostra Cultural. Foto por Maiara Luz

O dia 2 de julho foi de festa para o Território da Bacia do Rio Corrente. Na Escola CETIC (Colégio Estadual em Tempo Integral de Cocos), parceira que abriu suas portas para receber a programação da tarde, a I Mostra Cultural do Território da Bacia do Rio Corrente iniciou com a palestra do Prof. Cícero Félix, representando o CODETER, que provocou o público com reflexões sobre memória, apagamento e resistência das culturas tradicionais — o tom que atravessaria todo o dia de celebração.

Cícero Félix (CODETER) conduz a palestra de abertura da Mostra, na Escola CETIC, com reflexões sobre memória e resistência das culturas tradicionais, foto Maiara Luz.
Na sequência, a tarde seguiu com formação. A professora Aia Ora, representando a UFOB, conduziu a oficina "A arte da(o) brincante-educador(a)". Ludmila Leite e Emilly Lopes apresentaram "Retrato de papel", entrelaçando território e identidade. Michel Mello, da MM Dance, levou "Start Artístico", com foco em dança e corporeidade. E Justino Cosme mediou a roda de conversa "Criação Personagem Literária do Corrente". Antes da festa, o território parou para pensar a própria cultura — e foi esse encontro entre reflexão e vivências que preparou o terreno para a celebração da noite.
Justino Cosme conduz a roda de conversa "Criação Personagem Literária do Corrente". Foto Junior Oliveira.

Michel Mello (MM Dance) conduz a oficina "Start Artístico", com foco em dança e corporeidade. Foto Junior Oliveira.

Ludmila Leite e Emilly Lopes conduzem a oficina "Retrato de papel", sobre território e identidade. Foto Maiara Luz.

Oficina sobre os brincantes conduzida pela Profa. Aia Ora. Foto de Junior Oliveira.

Com o cair da tarde, o centro da Mostra se transferiu para a Praça da Cultura, onde cerca de mil pessoas se reuniram para a noite cultural. A data não foi escolhida ao acaso: o 2 de julho marca o feriado mais importante da Bahia, quando, em 1823, a vitória baiana expulsou definitivamente as tropas portuguesas e selou, na prática, a independência do Brasil no estado. Na Praça, a cantora Camila Macedo, de Cocos, abriu a noite interpretando o Hino da Bahia — dando à Mostra o tom de uma segunda independência, agora cultural, celebrada por um território inteiro.

Abertura oficial da noite cultura com a presença das autoridades, foto por Maiara Luz.
Realizada pela Fundação João de Azevedo — Ponto de Cultura Oficina dos Sonhos, a abertura da noite reuniu falas do prefeito Clevyn, do vice-prefeito Junior da Sercom, do Diretor de Cultura de Cocos Nonato Lopes, de Gilson Montalvão (Fundação João de Azevedo), Cícero Félix (CODETER), Aia Ora (UFOB) e do coordenador geral do projeto, Robson Vieira.
Nonato Lopes - Diretor de Cultura de Cocos, foto por Maiara Luz.
A noite também reuniu gestores municipais de cultura de diferentes cidades do território, com destaque para as presenças de Salvador Costa, de Jaborandi, Ícaro Mallero, de São Félix do Coribe, e do próprio Nonato Lopes, à frente da Cultura de Cocos — reforçando o caráter coletivo e territorial da Mostra, construída a muitas mãos pelos municípios da Bacia do Rio Corrente.

A força do que resiste e do que atravessa fronteiras

Se a noite teve um momento que resumiu o espírito da Mostra, foi o encontro, no mesmo palco, entre o Grupo de Reisado São Sebastião do Formoso e o Povo Cigano Calon. O Reisado, de Jaborandi, levou ao público cantos, danças e manifestações de fé que atravessam gerações na celebração dos Santos Reis — uma tradição popular que o território insiste em manter viva, geração após geração. Em seguida, a apresentação do Povo Cigano Calon, de Correntina, trouxe à Praça a força de um povo historicamente marginalizado, mas que segue afirmando sua cultura, sua identidade e seu direito de ocupar os palcos do território. Tradição e diversidade, lado a lado, mostraram que a cultura da Bacia do Rio Corrente é plural — é muitas, e é forte justamente por isso.

Publico na expectativa para inicio da programação, foto por Maiara Santana.
Grupo de Reisado São Sebastião do Formoso de Jaborandi/BA, foto por Junior Oliveira.
Simone, filha de Dona Enedina, representante do Povo Calon, foto por Maiara Luz.
Dança da Inclusão pelo Povo Calon de Correntina, foto por Maira Luz.

A programação seguiu com João Batista, de Cocos, em voz e violão entre a MPB e a música regional, e com o Carimbó e Quadrilha Fogo sem Fuzil, também de Cocos. A Fanfarra Cultural de Jaborandi, formada exclusivamente por mulheres, reafirmou o protagonismo feminino nos palcos da cultura territorial. Rayslanne Santos, de Cocos, trouxe a música popular brasileira e o pop rock nacional, e a Junina Gonzagão, de Correntina, campeã do Concurso Regional de Quadrilhas (UNIQJOB), levou o público à animação junina. A noite se encerrou com o show de Cevisa Harmonia, que mesclou o Cangaço Rock do Velho Chico a um formato acústico autoral, em uma homenagem sonora às raízes do sertão.
Junina Gonzagão de Correntina, foto por Maiara Luz.

Rayslanne Santos de Cocos, foto por Maiara Luz.

Povos Ciganos Calon, foto por Maiara Luz.

Fanfarra Cultural de Jaborandi, foto por Junior Oliveira.

Público presente na mostra, foto por Maiara Luz.

Paralelamente, artesãs de Cocos e de Serra Dourada expuseram e comercializaram seu trabalho, movimentando também a economia criativa do território — presença simbolicamente representada por Dona Antônia, moradora ilustre de Cocos, aos 104 anos, cuja participação emocionou o público e reforçou o valor da memória viva que sustenta a cultura do território.

Apresentação do Carimbó, foto por Maiara Luz.

Exposição e comercialização de artesanatos, foto por Maiara Luz.

Exposição e comercialização de artesanatos, foto por Maiara Luz.

Artesã, foto por Maiara Luz.

"Cultura é papo sério"

Para Robson Vieira, coordenador do projeto, a Mostra representou a felicidade de reunir o potencial do território para celebrar e afirmar a força e o poder transformador e econômico da cultura. Já Nonato Lopes, Diretor Municipal de Cultura de Cocos, resumiu o significado de sediar o evento: "Receber a I Mostra Cultural é Cocos transformar-se em um palco iluminado para dar boas-vindas aos protagonistas da nossa cultura pulsante."

Show de Cevisa Harmonia, foto por Maiara Luz.

Show de Cevisa Harmonia, foto por Maiara Luz.

A I Mostra Cultural marcou a afirmação de uma política pública que reconhece a cultura como vetor de desenvolvimento social e econômico para os onze municípios da Bacia do Rio Corrente — Brejolândia, Canápolis, Cocos, Coribe, Correntina, Jaborandi, Santa Maria da Vitória, Santana, São Félix do Coribe, Serra Dourada e Tabocas do Brejo Velho. Da reflexão da tarde à celebração da noite, tradição e diversidade dividiram o mesmo palco e mostraram, na prática, por que a cultura do território segue correndo e não para.

Os registros da Mostra podem ser acompanhados no Instagram @mostracultural.riocorrente, e o álbum completo de fotos está disponível neste link.

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