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Mês do Cerrado começa com diálogo sobre os impactos do El Niño na Bacia do Rio Corrente

O Instituto Altair Sales — instituição científica, cultural e educativa dedicada à pesquisa e à educação sobre o Cerrado, sediada em Goiânia (GO) — promove no dia 1º de setembro de 2026 a atividade online "El Niño e o Cerrado: impactos, riscos e desafios socioambientais", que abre o Mês do Cerrado. A ação é realizada em parceria com a Articulação de Mulheres pelo Cerrado do Oeste da Bahia, articulação de mulheres camponesas e trabalhadoras atuante desde 2019 na defesa do bioma e dos territórios tradicionais nas Bacias do Rio Grande e do Rio Corrente, e com o Coletivo Águas do Oeste, coletivo voltado à defesa dos recursos hídricos na região Oeste da Bahia. O encontro acontece das 14h30 às 17h e conta com apoio do Projeto Cultura, Alimento e Identidade, da UFOB (Universidade Federal do Oeste da Bahia), do CNPq e do CODETER Território Rio Corrente.

A atividade terá a participação do professor doutor Altair Sales — natural de Correntina (BA) e uma das principais referências em estudos sobre o Cerrado brasileiro —, com os convidados Aluísio Ferreira e Mestre Arnaldo, e mediação da Articulação de Mulheres pelo Cerrado do Oeste da Bahia. A proposta é discutir como o fenômeno climático El Niño interfere no regime de chuvas e na disponibilidade de água, além dos riscos para rios, nascentes e comunidades tradicionais que dependem das águas do Cerrado.

Amanda Alves, integrante do Projeto Cultura e Alimentação, destaca a importância do tema para a compreensão dos impactos do El Niño na região. Segundo ela, o território já vem sendo drasticamente afetado pela exploração dos recursos naturais, sobretudo pela retirada excessiva de água e pelo avanço do desmatamento — realidade que dados recentes confirmam: de acordo com o Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD 2025), divulgado pelo MapBiomas, a Bahia ocupou em 2025 o terceiro lugar no ranking nacional de desmatamento, com os municípios de Jaborandi e São Desidério entre os dez que mais desmataram no país no período.

Amanda Alves chama atenção ainda para a situação do Aquífero Urucuia, um dos principais mananciais subterrâneos da região, que se estende também por porções de Minas Gerais, Goiás, Tocantins, Piauí e Maranhão. Segundo ela, a retirada de água tem sido mais acelerada do que a capacidade de recarga do aquífero — tendência corroborada por estudos do Serviço Geológico do Brasil, que apontam redução de 31 km³ no volume de água armazenada no Urucuia entre 2002 e 2021, associada principalmente à irrigação de monoculturas. Para Amanda Alves, as mudanças climáticas associadas ao El Niño tendem a agravar ainda mais esse cenário já crítico.

Ao justificar o convite ao Instituto Altair Sales para abrir o diálogo, Amanda Alves recordou uma fala antiga do professor Altair Sales, feita quando ele começou a alertar sobre os riscos para os rios da região: "Na fartura, a gente divide um copo de água. Mas será que, no dia da penúria, no dia da escassez, nós vamos dividir?" Para ela, a reflexão já antecipava o cenário de desmatamento acelerado no Cerrado e seus impactos sobre a vida e a existência das comunidades do território.

A atividade é aberta a todas as pessoas interessadas em dialogar e trocar saberes sobre o tema. Por se tratar de um encontro online, o link de acesso será enviado no dia da atividade, mediante solicitação.

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